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ARTIGO

Dignidade da Pessoa Humana e o Bem Comum

                                                                                                                                                                  Ivanaldo Santos

Professor na UERN

Palestrante no I ConPaz do Univem

Desenvolverá o Pós-doutorado no Univem

ivanaldosantos@yahoo.com.br

 

A sociedade contemporânea passa por profundas mudanças e inseguranças. A   humanidade vive um momento delicado. Por toda parte a vida humana corre algum tipo de perigo que vai desde o terrorismo e o aumento da violência cotidiana, passando pela ameaça do retorno do ciclo das grandes guerras e das epidemias de doenças, até chegar no crescimento da alienação social e da indiferença ética. Nas primeiras décadas do século XXI o ser humano enfrenta um momento histórico marcado pela desconfiança, pelo medo e até mesmo pela desesperança. É um momento histórico muito parecido com o que a humanidade viveu na década de 1930, antes da eclosão da brutal Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Em um momento histórico tão delicado como o que vivemos atualmente não faltam as vozes e os defensores do pessimismo que dizem, entre outras coisas, que nada pode ser feito, que o caminho do ser humano é a destruição e que o ser humano sempre foi alienado e egoísta.

De forma contrária a esse discurso pessimista é necessário enfatizar a dignidade da pessoa humana. O ser humano – a obra prima de Deus – não deve ser respeitado por questões políticas e econômicas, mas apenas por existir, por estar no mundo e, com isso, contribuir para o aperfeiçoamento da sociedade. O ser humano deve ser respeitado. Esse respeito implica não fazer uso da violência, da tortura, da guerra, da alienação e de qualquer forma de atividade que possa transformar a pessoa humana em objeto. Seja um objeto ideológico, político, de consumo ou de outra natureza.

Diante da crise da insegurança que se abate sobre a sociedade contemporânea é necessário enfatizar a dignidade da pessoa humana. E uma forma eficiente de enfatizar essa dignidade é por meio do bem comum.

Não se trata de apresentar o bem comum de forma idealista e abstrata, como se fosse uma nova ideologia. De forma objetiva, o bem comum é toda a ação que visa combater a insegurança, o medo, a violência, a desesperança e a tirania da alienação e a indiferença ética. É toda a ação que visa ajudar ao próximo, ao mais abandonado e exposto às situações de violência. O bem comum é o ponto mais alto da espécie humana para o qual devem caminhar os esforços políticos e econômicos.

Nesse sentido, é necessário ver o bem comum em duas grandes formas: a primeira é a assistência direta as pessoas e espaços públicos que estão próximo a pessoa, próximo da residência, de onde mora a pessoa. Por exemplo, a assistência a doentes, crianças e idosos próximos da residência do cidadão. Do mesmo modo, o cuidado com a rua, com a praça, com o monumento histórico que fica próximo à casa do cidadão; a segunda é um conjunto de cidadãos, com apoio de algum organismo social (Igreja, Estado, ONG etc.), trabalhar para construir, reformar e fazer o pleno funcionamento de algum espaço público que promova o bem comum. Entre esses espaços públicos é possível citar, por exemplo, uma praça, uma creche, um hospital, uma escola e até mesmo uma faculdade.

A afirmação da dignidade da pessoa humana e do bem comum não é uma fórmula mágica para resolver o problema da insegurança enfrentado pelo ser humano contemporâneo. No entanto, é uma real possibilidade para que o ser humano possa, de forma saudável, sair do estado de alienação e da indiferença ética que vive atualmente. O exercício do bem comum é um remédio que o ser humano precisa experimentar.


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