Estudantes acompanham prestação de penas alternativas em Marília
Naturalmente, de nada adiantaria existirem mecanismos mais avançados e humanos de se cumprir uma sanção penal, se não eles não forem utilizados e devidamente acompanhados, fiscalizados, com a participação da sociedade. Compreendendo a importância social das penas alternativas, o Univem decidiu dar o seu quinhão de contribuição para viabilizá-las em nossa cidade. Desde junho de 2000, a instituição abriga o Centro de Acompanhamento de Prestação de Penas Alternativas (CAPPA). O trabalho dos alunos envolvidos consiste em acompanhar os casos em andamento na Vara das Execuções Penais da Comarca de Marília, em parceria com a Central de Penas e Medidas Alternativas, órgão vinculado à Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo.
De acordo com dados levantados no final de julho deste 2010, o projeto conta com 32 alunos, responsáveis pelo acompanhamento de 167 reeducandos em 43 entidades (órgãos assistenciais, escolas, associações de moradores). A coordenação cabe ao professor Teófilo Marcelo de Arêa Leão Júnior, que conta com a valiosa contribuição da aluna Tchelid Luiza de Abreu, do quinto ano, que atua como monitora.
Aprendizado
O Jornal da Fundação reuniu o coordenador, a monitora e alguns estagiários para saber detalhes do trabalho.
Tchelid explica que o projeto seleciona estudantes na medida do necessário. O processo seletivo leva em conta o interesse e a disponibilidade do aluno. Em geral, a entidade acompanhada fica próxima à sua residência, para facilitar o trabalho. “O participante do projeto tem um compromisso sério com a justiça, com os prestadores, com as instituições, com a faculdade e consigo mesmo”, destaca a monitora.
Cabe ao aluno estreitar o caminho entre a Central de Penas e a instituição receptora, na qual ele comparece, no mínimo, uma vez por mês. Feito o contato, encaminha o relatório mensal do apenado à Central. Ao final de 12 meses, também elabora um relatório ao Univem, que converte o trabalho em horas atividade.
Tchelid conta que ingressou no CAPPA em 2007, como estagiária, e que assumiu a monitoria em 2009. “Tem sido uma experiência muito produtiva”, diz.
Webert Ferreira de Almeida, do quinto ano, e Maria Tereza Zambom Grassi, do quarto, acompanham a prestação de serviços em duas instituições de ensino, respectivamente a EE Professor Nelson Cabrini e a CEES Professora Sebastiana V. Pessine. “Converso muito com o pessoal da escola e vejo que valorizam o trabalho do apenado”, destaca Webert, responsável pelo acompanhamento de dois prestadores. “Como almejo ser promotora e o estágio é na área criminal, tenho aproveitado bastante”, relata Maria Tereza, com quatro prestadores.
Geise Ellen T. dos Santos, do terceiro ano, conta que acompanha dois prestadores junto à Associação de Moradores da Nova Marília. “Sinto-me útil à comunidade e tenho a chance de adquirir novos conhecimentos”, destaca.
Acompanhando a Associação Mariliense de Esporte Inclusivo (AMEI), com quatro prestadores, Alexandre Rangel Vidal, do segundo ano, também faz um balanço positivo da experiência. “O trabalho social cria valores e nos leva além da superficialidade”, comenta.
O professor Teófilo elogia o trabalho da monitora e dos estagiários. “Além de contribuir diretamente com a sociedade, eles estão tendo a oportunidade de adquirir conhecimentos técnicos e vivência pessoal.”
Parceria elogiada
A assistente social Raquel Amêndola, responsável pela Central de Penas e Medidas Alternativas de Marília, considera essencial o trabalho conjunto com o Univem. “São os estudantes que fazem o vínculo direto entre a Central e as instituições, ouvindo suas críticas e problemas e trazendo suas sugestões”, frisa. “Os juízes de Marília nos pedem relatórios mensais de cada prestador e, sem o dedicado trabalho da monitora e dos estagiários, seria difícil”.
Laudite Ferreira Gaia Vieira, vice-presidente da Associação de Moradores da Nova Marília, bairro com cerca de 15 mil moradores na zona sul da cidade, considera a prestação de serviços útil não só para o educando, mas também à sua entidade. “Em geral, os prestadores são muito dedicados e nos ajudam bastante aqui”, diz. “E a presença constante da aluna do Univem é fundamental para que dê tudo certo, pois ela é a nossa ponte com a justiça.” Fonte: Matéria publicada no Jornal da Fundação em agosto de 2010