Senado vai decidir se felicidade vai para a Constituição

Publicado em 17 de novembro de 2010 às 00:00

Institucional

Emenda propõe que texto deixe claro que direitos básicos dos cidadãos

Emenda propõe que texto deixe claro que direitos básicos dos cidadãos são
essenciais para os brasileiros serem felizes

Rio - A felicidade dos brasileiros virou assunto para a Carta Magna. A
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem uma
Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que inclui o termo "busca da
felicidade" em um artigo da Constituição que trata dos direitos básicos
dos cidadãos: a chamada PEC da Felicidade de autoria do senador Cristovam
Buarque (PDT-DF). Agora, a emenda vai a plenário no Senado. Se aprovada,
vai para a Câmara dos Deputados. Se passar, o artigo 6º da Constituição
será redigido assim: "São direitos sociais, essenciais à busca da
felicidade, a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o
lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à
infância, a assistência aos desamparados".

Cristovam Buarque destaca que a ´PEC da Felicidade´ não obrigaria o
governo a criar projetos para garantir a felicidade individual.
"Evidentemente as alterações não buscam autorizar um indivíduo a requerer
do Estado ou de um particular uma providência egoística a pretexto de
atender à sua felicidade", pondera o senador na justificativa do projeto.
"Todos os direitos previstos na Constituição - sobretudo, aqueles tidos
como fundamentais - convergem para a felicidade da sociedade".

Para o diretor do filme ´A Suprema Felicidade´, Arnaldo Jabor, "a
felicidade tinha que ser algo conquistado, mas hoje ela vem ´delivery´. "A
indústria da felicidade é muito forte", diz. Marco Nanini, ator do filme,
acrescenta: "Só com simplicidade, todas as outras coisas ficam mais
possíveis de serem alcançadas".

Estado pode garantir só o bem-estar

Apesar da boa intenção do senador de colocar o assunto na Constituição, a
psicóloga Teresa Creusa Negreiros adverte que não há como o Estado
trabalhar pela "felicidade" do povo, porque esse é um sentimento muito
pessoal. "Há uma diferença entre felicidade e bem-estar. A felicidade é
abstrata, efêmera. Mesmo em um mesmo indivíduo, a ideia de felicidade
varia ao longo da vida. Cada um tem uma definição própria do que é ser
feliz", explica.

Segundo Teresa, o que a Constituição pode garantir é o bem-estar - quando
questões físicas e psíquicas estão satisfeitas: "A pessoa pode ter tudo,
casa, comida, saúde, e não ser feliz. A felicidade não é objetiva".

Colaborou Leandro Souto Maior